Sinuca, Zen e Auto-Conhecimento

A precisão da bola branca que bate, encaçapa (põem na caçapa), segue sua trajetória em direção à uma posição favorável da próxima bola. E repetidas vezes, sem interrupção, até que nenhuma bola reste sobre na mesa. O sinuquista “fechou” o jogo.


Simples e sensacional. Poucos, os bons, fazem e refazem. Dominam a mesa e as bolas. Dominam o jogo e mais que isso: dominam a si mesmos. Pois só com o domínio da força e da direção, contando com os efeitos que a bola branca recebe quando se aplica a variedade de toques em cima, sob, no centro, nos lados, com ou sem pulsos e impulsos e as conseqüências em termos de aceleração ou freio ao bater na bola objetivo e nas tabelas, é que é possível “se posicionar bem”. É técnica e é autocontrole.


Lembra o Arqueiro Zen, que lança a segunda flecha no centro do alvo em que já se encontra a primeira. A segunda atravessa a primeira, ainda que a distância seja 200, 400 ou 600 metros. Absoluto domínio sobre suas emoções e percepções. Coisa além do que nós, cotidianos homens da cidade, alguma vez poderíamos sonhar. Mágica diríamos nós. E aí a terceira e a quarta flecha se sobrepôem às anteriores. Muito mais do que sorte: domínio absoluto sobre a técnica, mas muito mais que isso, domínio absoluto sobre si mesmo.

Lembra jogadores de Sinuca como o Maravilha, o Noel (na foto), o Bozzinha, o Dauam, os Fabinhos, o Lachoski e outros grandes tacos Paraná afora. Lembra todos aqueles que entendem e praticam o jogo enquanto auto-superação. O grande adversário é o próprio. E o domínio de si é o objetivo. Usando como veículo o arco e a flexa, a mesa e as bolas de sinuca, as flores e seus múltiplos arranjos, o chá e as várias formas de fazê-lo. Enfim, a vida e o domínio de vivê-la nas múltiplas formas imagináveis.

A informação diz que a Sinuca é parte integrante dos currículos japoneses. Seu caráter formativo, como todo bom esporte, justifica isso. A dissiminação séria de todos os esportes e artes na formação de nossos jovens é por si só uma ótima bandeira a levantar sempre. A criança que pratica esporte com seriedade ou desenvolve seu potencial artístico, está provado, tem muito mais motivação para o aprender as demais disciplinas. Levar a Sinuca para as escolas é, pois, absolutamente justificável.

Viver a vida é uma arte…

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