Afiando as Adagas – Como Vejo o Político

O político é tido em geral como diplomata. Aquele que procura não contrariar ninguém. Não entrar em rota de colisão com quem quer que seja. Não fazer inimigos, nem desafetos. A convivência continuada e a preservação de seu eleitorado exige dele uma postura gentil. Ter jogo de cintura perante a grosseria. Mas há um limite a todo este comportamento cavalheiresco.

O político tem que ter cor: opinião e linha de ação. É o que lhe dá a personalidade – o formato – que o faz opção de escolha. É o que estabelece o respeito e a liderança entre os correligionários e adversários. E cor, opinião e linha de ação, tornam o político, por isso, estrutura. Em volta da qual orbitam forças da sociedade. Em torno das quais ele mesmo circula. O MST não pode sentir-se à vontade na presença do FHC, como se sentiu com o Lula. O próprio FHC, em seu bom livro “A Arte da Política”, diz não ter sido possível o diálogo com o MST. Não tendo permitido que a bandeira do Movimento fosse hasteada em seu gabinete. Tendo reagido com energia quando a pessoa do presidente foi tratada com vulgaridade.

O político não é para ser um super-homem. Pode falhar. Mas que evite sempre o erro. Jamais falhe nas grandes questões. Aquelas do interesse dos que o apóiam. Nas questões comportamentais. Que seja, afinal, o que se propôs ser!: o representante do povo! Com todas as virtudes que o representante deve ter: seriedade no trato da coisa pública, energia na defesa de seus pontos de vista, transparência e honradez. Em síntese: respeito ao eleitor! Mesmo que para isso possa contrariar e fazer opositores. A fidelidade aos que o elegeram, que deve ser coerente com o que manda sua consciência, é sua garantia do sono dos justos.

O político não pode tudo. Não sabe tudo. Não pode estar ao mesmo tempo em dois lugares. Mas tem que ser vento forte a favor para o encaminhamento dos problemas da comunidade que ele representa, de sua região e do país. E tem que ser obstáculo de grande porte para as ações e intenções que comprometem o bem estar de seu povo e, o que está aí implícito, o bem estar da própria humanidade. Deve ter a visão histórica para evitar o desperdício de energia com reinvenções da roda. Deve ter a liberdade como seu bem maior. E, por isso, deve ser profundamente democrático.

O político, para se sentir à vontade, tem que ser fiel a convicções defensáveis. Precisa jogar sem constrangimentos. Com clareza. Deve ter imensa disposição de trabalho. Abrir frentes de batalha e guerrear para alcançar seus intentos. Tem que ser um soldado a serviço do equacionamento e solução das grandes questões da pátria. “Tiene que ser duro, pero sin nunca perder la ternura.”

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